O desemprego jovem continua elevado, contudo isso não significa que os mais jovens estão a ficar à margem da recuperação geral de emprego. Na verdade, tanto em termos homólogos como em cadeia aumentou o emprego da população entre os 15 e os 24 anos, no último ano. Mas este aumento foi feito sobretudo à custa de trabalhos precários com salários baixos como a restauração ou o alojamento.

De acordo com o estudo “Jovens no mercado de trabalho”, do Instituto Nacional de Estatística (INE), no segundo trimestre de 2016 a população jovem, com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos, representava 22,2% da população residente (2 284,3 mil pessoas). Em análise a este grupo etário por condição face ao trabalho, verifica-se que mais de metade (51,8%) estavam empregados, enquanto perto de 10% estavam desempregados e 38,5% eram inativos, os nem-nem, não estudam nem estão empregados. Neste grupo etário, a maioria (73,4%) ainda se encontra a estudar ou em formação, havendo, contudo, uma grande disparidade no que diz respeito ao nível de escolaridade mais elevado completo, uma vez que esta amplitude de idades abarca tanto jovens em idade escolar obrigatória como outros já fora do sistema de ensino.

Para cerca de metade dos jovens empregados, o seu nível de escolaridade é considerado adequado ao trabalho exercido, sendo esta situação mais frequente entre os jovens que concluíram o ensino superior. Por outro lado, cerca de um terço dos jovens empregados refere ter mais qualificações do que as necessárias para o cargo exercido.
A desadequação entre a formação e as necessidades das empresas, a retoma do emprego em sectores que não valorizam as qualificações mais elevadas ou a reformulação dos estágios apoiados pelo Estado são os principais fatores que justificam que cerca de um terço dos jovens portugueses continuem desempregados.